Dois escritórios de advocacia vinculados ao advogado Daniel Lopes Monteiro receberam juntos 79 milhões de reais do Banco Master, segundo dados do Imposto de Renda do banco. A origem dos recursos está ligada à investigação em curso sobre propina na negociação de venda do Master ao BRB.
Monteiro, que foi preso pela Polícia Federal na 4ª fase da operação Compliance Zero, é apontado como representante de interesse no negócio entre as instituições. Ao lado dele, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi detido pela PF na mesma etapa.
A apuração aponta que o montante ficou atrás apenas dos repasses ao escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, em 80,2 milhões entre 2023 e 2024. Os pagamentos teriam sido efetuados por meio do Master.
Escritórios beneficiados
Conforme o relatório da Receita enviado à CPMI do Crime Organizado, os repasses teriam sido realizados a dois CNPJs vinculados a Monteiro:
- Monteiro Rusu Cameirão e Bercht
- Rusu Sociedade de Advogados
Esse montante corresponde à soma de pagamentos mensais entre 2022 e 2025. A assessoria de Monteiro ainda não se posicionou sobre o assunto.
Avanços da operação
A 4ª fase da Compliance Zero prendeu preventivamente Paulo Henrique Costa e Daniel Lopes Monteiro, sob suspeita de propina na venda do Master ao BRB. A PF investiga se Costa recebeu 146 milhões de Vorcaro para facilitar a aquisição.
A Polícia Federal apura se o repasse foi intermediado por meio de imóveis localizados em Brasília e São Paulo, com registros apontando quatro imóveis em São Paulo e dois em Brasília. Daniel atuou como advogado do Master nas negociações que visavam a venda para o BRB.
Contexto e próximos passos
O Banco Central já sinalizou abertura de apuração sobre a operação, com atuação de autoridades federais para esclarecer fraudes financeiras relacionadas aos envolvidos. A investigação busca esclarecer se houve esquema de propina e quais instituições teriam sido envolvidas.
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