O ministro Guilherme Boulos afirmou que o relator do PLP 152/2025, Augusto Coutinho, cedeu às pressões de plataformas como iFood e Uber ao apresentar uma segunda versão do texto. A declaração foi feita em entrevista ao programa Estúdio I, da Globonews, na sexta-feira, 17 de abril de 2026. O tema é o regulamento do trabalho por aplicativos no Brasil, mantendo os trabalhadores como autônomos.
Boulos disse que o governo Lula discorda de pontos do parecer, entre eles o piso de 8,50 por corrida. Segundo o ministro, governistas defendem 10 reais por entrega, com adicional por quilometragem. Ele afirmou ainda que a pauta de 10 reais não nasceu no governo, mas sim das mobilizações dos trabalhadores de plataformas nos anos recentes.
O ministro negou haver racha entre a esquerda e os trabalhadores de app. Argumentou que a esquerda mundial tem dificuldades para dialogar com esse grupo, mas ressaltou que o governo tem ampliado o diálogo com a categoria e ouvido as demandas.
Esquerda e trabalhadores de app
Guilherme Boulos ressaltou que a noção de que os trabalhadores de aplicativos são apenas empreendedores independentes existe, mas não é dominante. A categoria é considerada fluída, com diversas formas de organização, incluindo associações, alianças e sindicatos.
O ministro também destacou que o governo tem buscado ampliar o diálogo com a categoria para entender as diferentes realidades dos trabalhadores. Ele afirmou que essa aproximação visa reduzir ruídos entre as partes.
PLP dos aplicativos
O Palácio do Planalto pediu o adiamento da votação do projeto, prevista para ocorrer após as eleições de outubro. A pauta foi remarcada para depois do pleito. Segundo autoridades, não houve acordo sobre pontos-chave do texto.
O PLP 152/2025 está centrado em regulamentar o trabalho por plataformas digitais, mantendo os trabalhadores como autônomos, com controvérsias sobre direitos trabalhistas, vínculos e remuneração. O tema permanece polêmico entre centrais sindicais, governo e setores da iniciativa privada.
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