A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (17), a Operação Effluxus, que resultou na prisão preventiva do empresário e ex-vereador de Porto Alegre, Gilvani Dall Oglio, conhecido como Gringo. A ação investiga um esquema familiar de fraude em licitações e ocultação de controle empresarial, com contratos públicos de saneamento e limpeza urbana em jogo.
As investigações, que duraram dez meses, apontam que Gringo utilizava “laranjas” — incluindo filhas e um irmão — para gerir as empresas Limpservice e Safety Ambiental. Ambas pertenciam a um mesmo grupo econômico e simulavam concorrência em licitações para fraudar a competição.
Entre 2024 e 2025, o grupo teria obtido cerca de R$ 2,5 milhões em contratos com prefeituras de Capão da Canoa, Gramado, Gravataí e Osório, além da Polícia Penal.
Prisão e medidas legais
Além da prisão do ex-parlamentar, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 2,5 milhões em ativos e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos envolvidos. Durante os nove mandados de busca, um dos filhos de Gringo foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo na sede de uma das empresas.
A Polícia Civil identificou evidências que ligam Gringo ao comando direto das empresas, como o uso de uma estrutura tecnológica para acessar portais de licitação e a confusão patrimonial entre as firmas. Também há relato de uma ex-funcionária que teria recebido oferta de suborno de R$ 2 mil para não colaborar com as autoridades.
Contexto e desdobramentos
O histórico de irregularidades inclui a cassação do mandato de Gringo na Câmara Municipal, em dezembro de 2025, por manter contratos com o Dmae durante o exercício do cargo, o que violaria a Lei Orgânica de Porto Alegre.
O grupo também é acusado de prática de dumping social, que reduz custos operacionais desrespeitando direitos trabalhistas para vencer licitações. Os investigados respondem, ao todo, por associação criminosa, corrupção ativa de testemunha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
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