A Anvisa anunciou medidas para restringir o uso de canetas emagrecedoras sem registro e evitar importações do Paraguai. A atuação ocorre em meio a pressões políticas, alta demanda e forte presença nas redes sociais com apelo estético.
A agência pretende impedir a entrada de produtos paraguaios não regulamentados e fechar brechas em farmácias de manipulação. As ações correspondem a um mercado paralelo aos fármacos registrados pela Anvisa, como Ozempic e Mounjaro.
A medida envolve ainda regras mais rígidas sobre a qualidade de ingredientes importados para farmácias de manipulação. A proposta entra em votação no fim de abril e prevê uso de CBPF, com inspeção prévia do fabricante.
Medidas da Anvisa e regulamentação
A proposta exige que a manipulação só ocorra mediante prescrição clínica. Em paralelo, a PF investiga irregularidades em farmácias de manipulação; operações envolvendo apreensões já ocorreram em estados diversos.
No Paraguai, a Anvisa vetou a venda e uso de duas marcas, Gluconex e Tirzedral, que não tinham autorização para importação no Brasil. A medida impede comercialização mesmo para uso pessoal.
Mercado irregular e dados oficiais
Dados da Receita Federal indicam aumento expressivo de apreensões de emagrecedores ilegais em 2025, com 32,8 mil unidades. Também houve detecção de quase 1 tonelada de ingredientes irregulares em Viracopos desde janeiro.
Entre 6 meses recentes, houve importação de 130 kg de tirzepatida, suficientes para produzir cerca de 25 milhões de doses em farmácias de manipulação, segundo a Anvisa.
Pressões políticas e uso no SUS
O tema é sensível no governo, com receio de judicialização e de impacto no Congresso. Em cidades, gestores cobram uso dessas canetas no serviço público, gerando debates sobre acesso e segurança sanitária.
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