O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o cenário eleitoral no Brasil está tranquilo e negou haver turbulência em sua pré-campanha. A declaração ocorreu em Hannover, durante entrevista coletiva junto ao chanceler alemão, após reuniões bilaterais entre Brasil e Alemanha.
Lula afirmou que enxerga as eleições como parte do funcionamento da democracia e destacou que, apesar de questionamentos, não vê instabilidade no ambiente político. Ressaltou que faltam meses para o pleito, o que afasta qualquer leitura de tensão iminente.
O presidente também voltou a afirmar que já participou de várias eleições e se posicionou como o cidadão que mais disputou cargos na história do país, o que, segundo ele, não representa apreensão com o processo.
Dados eleitorais recentes foram citados, indicando empate técnico em cenários de segundo turno envolvendo Lula. Em levantamento do Datafolha divulgado em 11 de abril, Flávio Bolsonaro aparece na liderança momentânea com 46% ante 45% do presidente, em cenário direto. Quando Caiado ou Zema aparecem como adversários, Lula fica com 45% a 42%, mantendo a margem de erro de dois pontos.
Além de temas eleitorais, a coletiva tratou de posicionamentos internacionais. Lula criticou guerras em curso, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU e se posicionou contra intervenção militar em Cuba, reiterando apoio à participação da África do Sul no G20. As falas também responderam a relatos de autoridades estrangeiras.
Do lado bilateral, o encontro resultou em acordos nas áreas de defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, bioeconomia e eficiência energética. A Alemanha anunciou aporte de 500 milhões de euros ao Fundo Clima. O acordo Mercosul-UE, com entrada prevista para 1º de maio, é destacado como ganho diplomático da viagem.
A agenda de Lula em Hannover faz parte de uma turnê europeia de cinco dias, com passagem por Barcelona, onde houve a primeira Cúpula Brasil-Espanha, e continuidade prevista para Lisboa na terça-feira seguinte. O presidente viaja com uma comitiva de 14 ministros e visa ampliar cooperações e investimentos.
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