Empresas ligadas ao pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PL foram acionadas em compras de precatórios. Dentre os papéis adquiridos, há títulos emitidos em nome de uma mulher anistiada da ditadura militar e de um ex-agente da Polícia Civil envolvido em denúncias de corrupção. As operações ocorreram nos últimos anos e foram reveladas pela Folha de S.Paulo.
A Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda, que tem Douglas Ruas como sócio majoritário, e a Mical Invest e Participações, de Marianne Barbosa (mulher do deputado), adquiriram os precatórios. As transações ocorreram por meio de um escritório de investimentos que intermediou os negócios, segundo as escrituras.
Detalhes dos precatórios
Um dos títulos pertenceu a uma mulher de 75 anos que recebeu indenização judicial por torturas ocorridas durante a ditadura. A indenização foi concedida pela Justiça de Goiás, e o precatório está avaliado em cerca de 917 mil reais. A mulher foi presa em três ocasiões durante o regime militar, conforme registram os documentos.
Outro grupo de precatórios envolve o comissário Carlos Antônio Torres, desligado da Polícia Civil em 2018 após investigação. Torres foi alvo de apurações sobre suposta propina na delegacia de Bangu. O Tribunal de Justiça autorizou o pagamento de dois precatórios, com valores de 339 mil reais e 429 mil reais, que foram adquiridos pela Mical.
Contexto e objeto das negociações
As escrituras destacam que as operações foram intermediadas por um escritório que atua no setor de precatórios, conectando compradores e vendedores conforme a conclusão dos negócios. O objetivo dos compradores é obter retorno financeiro com o eventual pagamento futuro dos títulos.
Douglas Ruas afirmou que a carteira de investimentos da Saur é definida exclusivamente pelo sócio-administrador e não pelo deputado. Ele também informou que as aquisições ocorreram por meio de um escritório de investimentos, sem comentar detalhes operacionais.
Repercussão e notas oficiais
A reportagem não conseguiu localizar a senhora9 destinatária de um dos precatórios para comentários. As informações divulgadas são baseadas em documentos públicos e nas escrituras de transação. Não há, até o momento, indicativos de que as compras envolvam recursos públicos diretos ou beneficiem atividades ilícitas.
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