A Operação Sem Desconto, desencadeada pela Polícia Federal e pela CGU em abril de 2025, expôs um esquema bilionário de fraudes em benefícios do INSS que se estendia de 2019 a 2024. Nesta quinta-feira, completa um ano com menos da metade dos valores desviados devolvidos aos prejudicados.
Segundo balanço do INSS, já foram reembolsados R$ 3.011.377.439 a 4,5 milhões de vítimas. Outros 748.734 beneficiários ainda podem solicitar ressarcimento, com prazo até 20 de junho para contestar valores indevidos.
Delações podem auxiliar o inquérito. PF aponta crimes como corrupção, violação de sigilo e organização criminosa, com o esquema dividido em núcleos político, financeiro e de comando.
Como começou a apuração
As investigações começaram em 2023, quando a CGU identificou aumento de entidades e descontos em aposentadorias. Auditorias em 29 entidades com ACTs mostraram falhas de documentação e estrutura inadequada.
Na deflagração, a PF cumpriu mais de 200 mandados e prendeu suspeitos no DF e em 13 estados. Foram apreendidos carros, dinheiro, joias e obras de arte.
Até o momento, a PF já realizou cinco fases. A última, em março, levou à prisão de membros de diversos órgãos, incluindo a deputada Gorete Pereira, que passou a usar tornozeleira eletrônica.
CPMI do INSS
A CPMI do INSS entregou dois relatórios, mas nenhum foi aprovado pelo Congresso. O relator Gaspar sugeriu indiciar dezenas de pessoas, incluindo empresários e políticos, o que gerou resistência parlamentar.
Relatórios alternativos com quase 2 mil páginas chegaram a indicar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre os indiciados. Parlamentares governistas encaminharam o material a PF e PGR para análise.
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