A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do PP, tentou colocar um assessor no comando do Iprev-DF como forma de ampliar a influência sobre o BRB. A manobra ocorreu para resistir a um boicote na assembleia de acionistas que aprovou aumento de capital do banco distrital.
O Iprev-DF detém 12% do BRB e já buscava assento no conselho de administração há anos, sem sucesso. Por isso, não participou da assembleia que, nesta quarta-feira, autorizou a injeção de até 8,8 bilhões de reais em capital próprio do BRB.
Segundo a assessoria do BRB, o aporte ajuda a cobrir perdas decorrentes de negócios com o Master, evitando possível intervenção ou liquidação pelo Banco Central. O montante aprovado corresponde ao capital em aberto nas contas do BRB.
Parágrafo: a assembleia decidiu manter Nelson de Souza como presidente, que permanece no cargo. Sem o aporte, o BRB poderia enfrentar risco de liquidação após operações malsucedidas com o Master.
Contexto e decisão
Celina Leão assumiu o governo no fim de março, após a saída de Ibaneis Rocha. O Iprev-DF pressionava por um assento no conselho do BRB desde o ano passado, tema negado por excesso de participação do governo distrital.
Relatos de assessores indicam que a pressão influenciou a decisão de o Iprev-DF não participar da assembleia que definiu o destino do BRB. Celina então nomeou seu assessor Geraldo Lourenço de Almeida para presidir o Iprev-DF, buscando habilitá-lo a atuar na votação.
Volta atrás e desdobramentos
A exoneração de Raquel Galvão Rodrigues foi publicada no Diário Oficial na segunda-feira, substituída pela indicação do assessor, ainda que a presidente do Iprev-DF tenha mandato até julho. Deputados próximos a Celina e Ibaneis atuaram para construir uma solução de consenso.
Ao final, o Iprev-DF votou a favor do governo, mantendo Celina em seus cargos. A direção do instituto continua sob escrutínio, com pressão de afastamento da dirigente.
Novo foco e controvérsias
Celina busca evitar que o BRB desperdice recursos em relação ao Master. A diretora-presidente do Iprev-DF é apontada como pivô de decisões ligadas a investimentos em fundos geridos pela Trustee, ligados ao Master, acusações que a carreira nega.
A crise do BRB envolve uma compra de créditos do Master, avaliados em 12 bilhões de reais, com parte sem lastro. A Polícia Federal investiga supostos favorecimentos na operação. O ex-presidente do BRB, Paulo Roberto Costa, foi preso recentemente.
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