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AGU não tem papel de regular informação, afirma órgão

AGU amplia atuação ao pedir remoção ou rotulagem de posts sobre projeto de lei, via PNDD, provocando debate sobre limites da intervenção estatal nas redes

Detalhe da fachada da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília (DF)
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Uma notificação enviada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), estrutura interna da AGU, solicitou à rede social X a exclusão ou rotulagem de dez postagens sobre um projeto de lei que pune a misoginia. O pedido envolve conteúdos que faziam referência ao texto aprovado pelo Senado em março e que tramita na Câmara dos Deputados.

A AGU afirma que as postagens atribuíram ao texto aprovado trechos de outra proposta, o que, segundo a instituição, ataca a integridade do processo legislativo e confunde a opinião pública sobre uma política pública relevante. Parte das postagens teria confundido os dois projetos e outras criticaram o impulso legislativo de criminalizar a misogínia.

A discussão envolve a atuação da AGU e o papel da PNDD, criada para combater desinformação sobre políticas públicas. O órgão enfatiza que monitorar opiniões sobre Poderes não estava entre as atribuições da AGU, embora a PNDD tenha ampliado esse alcance desde o início do governo Lula.

O pano de fundo é o debate sobre regulação de conteúdos na internet. O STF reinterpretou o artigo 19 do Marco Civil da Internet em 2025, ampliando o espaço para punição de conteúdos considerados ilícitos, mediante notificações extrajudiciais. Em casos de conteúdo criminoso, a punição pode ocorrer, mas não se verifica, no caso em questão, a necessidade de medidas judiciais.

Especialistas apontam que mudanças regulatórias devem ocorrer no Congresso, com debate técnico e amplo. O histórico brasileiro inclui tentativas de regulamentação de desinformação, como o projeto das Fake News, que acabou engavetado em 2024. A decisão envolve questões de liberdade de expressão, processo legislativo e responsabilidade das plataformas.

Contexto técnico e institucional indica que a AGU não deve, em situação normal, se responsabilizar pela moderação de conteúdos online, ainda mais quando o tema envolve opinião pública sobre políticas públicas. A PNDD, no entanto, aparece como mediadora de ações ligadas à desinformação, o que amplia o escopo de atuação da AGU.

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