Ao julgar recurso de apelação, a Quinta Turma do STJ manteve o entendimento de que a posse de maconha para uso pessoal dentro de um estabelecimento prisional configura falta disciplinar grave. A decisão ocorreu mesmo após o STF ter descriminalizado o porte para uso pessoal, no Tema 506. O colegiado decidiu por unanimidade não prover o agravo regimental e manteve a ilicitude administrativa da conduta no âmbito da execução penal.
O caso envolve um apenado flagrado durante o banho de sol com sete porções de maconha, totalizando 32 gramas. O juízo das execuções havia reconhecido a infração disciplinar, que foi desclassificada para falta média pelo tribunal de origem. O Ministério Público apresentou recurso especial para restabelecer a tipificação como falta grave.
Aspectos processuais e fundamentação
A defesa alegou violação à súmula 7 do STJ e argumentou que a posse para uso próprio não configura crime, segundo o Tema 506 do STF. O STJ pautou-se pela distinção entre tipicidade penal e ilicitude disciplinar, mantendo a possibilidade de sanção administrativa mesmo diante da descriminalização.
A relatora, ministra Maria Marluce Caldas, afastou a aplicação da súmula 7 e destacou que o fato de a droga ter sido apreendida é incontroverso. Em mérito, reiterou a jurisprudência de que a posse de entorpecente em presídio, mesmo para consumo próprio, configura falta disciplinar grave conforme a LEP.
Síntese do entendimento
O STJ entende que o regime disciplinar na execução penal é autônomo em relação ao Direito Penal. Assim, a descriminalização pelo STF não impede a caracterização administrativa da conduta no cárcere. A decisão ressalta que a conduta pode comprometer a ordem interna e influenciar outros detentos, justificando a classificação como falta grave.
Ainda que os arts. 50 e 52 da LEP não tratem expressamente da posse de maconha para uso próprio, o tribunal decidiu que é possível reconhecer a ilicitude extrapenal e aplicar sanção disciplinar, por meio de procedimento específico.
Conclusão do tribunal
Com o voto vencido, o colegiado negou provimento ao agravo regimental e manteve o reconhecimento da falta grave. O acórdão consolidou o entendimento de que a descriminalização não altera a aplicação de sanção disciplinar em presídio.
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