Em uma decisão inédito em 132 anos, o Senado rejeitou nesta quarta-feira (29/4) a indicação de Jorge Messias para o STF. A votação terminou 42 votos contra e 34 a favor, abaixo dos 41 necessários para a confirmação. O indicado é o atual advogado-geral da União, nomeado por Lula, que se descreveu como servo de Deus, mas não teve apoio suficiente entre o plenário.
A rejeição ocorreu mesmo com apoio de lideranças evangélicas fora do eixo político. O apoio mais próximo veio de figuras religiosas que já se posicionavam pela indicação, como apóstolos e líderes de igrejas, mas não houve adesão suficiente entre os senadores religiosos para assegurar a vitória de Messias.
Em entrevista e sabatinas no Senado, Messias defendeu a laicidade do Estado e destacou que o STF não deve sustentar ativismo. Também se posicionou contrariamente ao aborto em termos legais, porém afirmou acreditar na legalidade das situações previstas pela Constituição e pela jurisprudência da Corte.
A votação no plenário reuniu reações divergentes entre evangélicos no Congresso. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Carlos Viana, classificou a rejeição como uma vitória do Brasil e ressaltou que a Casa rejeitou um nome indicado pela presidência pela primeira vez na história recente. Já a vice-líder Damares Alves disse que o resultado expõe a dificuldade de articulação política do governo.
Entre as lideranças evangélicas, a posição pública variou. Silas Malafaia criticou Messias de forma veemente, chamando-o de opositor à linha defendida pelo líder, e sugeriu que o Brasil não teve o ministro indicado. Os apóstolos Estevam Hernandes e César Augusto, que apoiavam a indicação, não se manifestaram sobre a derrota até o momento.
No plenário, parlamentares evangélicos que apoiaram Messias antes da sabatina ainda não se pronunciaram após o placar. Por outro lado, opositores à indicação celebraram o resultado nas redes sociais, destacando a independência do Senado frente à indicação presidencial.
Messias foi o terceiro indicado por Lula ao STF durante seu mandato, que hoje é composto por nomes indicados por diferentes governos. A derrota do indicado ocorre em um momento de baixa popularidade do presidente e no contexto de eleições presidenciais previstas para outubro.
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