A derrota na indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o STF federal expõe desconfianças no Planalto sobre fidelidade da base aliada. O governo aponta MDB e PP como principais suspeitos de dissidência, após a votação secreta.
Lideranças do MDB negam ter atuado contra Messias. O senador Eduardo Braga chamou as acusações de intriga e disse que o governo tenta transferir responsabilidades pela derrota. Renan Calheiros afirmou ter votado, defendendo a atuação do MDB.
No PP, interlocutores do Planalto indicam que o recado decisivo saiu no dia da votação, com Davi Alcolumbre assumindo papel central e consolidando parte da bancada. O grupo ainda cita a participação do senador Ciro Nogueira, que teria permanecido próximo ao presidente do Senado.
No Planalto, avaliação é de que Alcolumbre explorou insatisfações com a escolha de Lula e interesses na vaga do STF. O confronto interno ficou evidente após a derrota de Messias, com o núcleo governista mais alinhado entre PT, PDT e PSB sobrando 18 votos.
Jaques Wagner, líder do governo no Senado, é cobrado por prever placar acima do real. Ele avaliou, ao meio da semana, 45 votos, mas viu o resultado próximo de 34 a favor. Lula recomendou cautela em reunião com o governador baiano Jerônimo Rodrigues.
Guarda-chuvas de avaliação também recaem sobre o ministro José Guimarães, pela articulação política. Aliados afirmam que o governo deveria ter adiado a votação para evitar a derrota, sinalizando falhas na estratégia de venda da indicação.
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