Em meio ao esvaziamento da cracolândia, usuários de crack circulam por cerca de 260 pontos no distrito de Santa Cecília e arredores, no centro de São Paulo. A movimentação constante resulta em revezamento de permanência entre bairros, com variações rápidas de presença.
Segundo relatório oficial, de 20 a 23 de abril foi contado um total médio de 214 dependentes químicos por período, entre madrugadas, manhãs, tardes e noites. Turbas são exceções; na maioria, há pessoas sozinhas ou em duplas.
A praça Marechal Deodoro concentra a maior densidade entre os pontos monitorados. No número 43, a média é de 22 usuários por turno, com pico de 35 em 21 de abril. Em 23 de abril, o local ficou sem registros no período vespertino.
Pontos de maior concentração e deslocamentos
Ao todo, a praça Marechal Deodoro registra atuação de indivíduos em até dez pontos diferentes do logradouro. Considerando todos os pontos, a concentração média sobe para 29 por período.
A avenida Rio Branco, 940, figura como segundo endereço com maior população média: 12,5 usuários por turno, em 26 pontos monitorados, resultando em média de 24 por período.
Outros pontos com maior movimentação são a praça Princesa Isabel, 75 (10 usuários), a rua Apa, 83 (9), e a avenida Duque de Caxias, 75 (7).
Ações de monitoramento e cuidado
O monitoramento é realizado em parceria entre o governo estadual e a prefeitura, com uso de drones e câmeras para contagem diária e identificação de pontos de distribuição de drogas. Policiais militares e guardas-civis fazem revistas e registram ocorrências.
Assistentes sociais atuam nas ruas para encaminhar frequentadores ao Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, no Bom Retiro. O centro oferece atendimento social e médico inicial, com encaminhamento a hospitais ou a comunidades terapêuticas, conforme necessidade.
Perspectivas e próximos passos
A gestão estadual afirma que a cracolandia foi desmobilizada como principal ponto aberto de uso, mas admite que o consumo de crack persiste em outras áreas da capital e do estado. O vice-governador Felício Ramuth aponta a aplicação de aprendizados da área de Santa Cecília para outras zonas centrais e expandidas, incluindo Ceagesp e a avenida Roberto Marinho.
Entre na conversa da comunidade