No final de março, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual definiu a distribuição de recursos para 2026. O encontro foi conduzido pela ministra da Cultura, Margareth Menezes. O objetivo é nortejar o investimento público no cinema nacional.
Segundo apurações, o encaminhamento dos recursos seguiu um viés já observado nos últimos anos, priorizando distribuidores em detrimento de produtores e realizadores. Críticos afirmam que esse padrão não tem proporcionado maior visibilidade aos filmes brasileiros.
Dados históricos ajudam a entender o retrato atual: há mais de 15 anos, a capitalização dos distribuidores não abriu espaço suficiente para aumentar a participação nacional nas salas. Hoje, o cinema brasileiro permanece em cerca de 10% a 15% do total de produções exibidas.
A avaliação é de que o modelo atual não contempla uma estratégia de longo prazo para a indústria. A ausência de definições claras favorece influências de lobbies e cria um cenário de disputa entre setores do audiovisual.
Em comparação internacional, há relatos de que políticas de campeões nacionais, quando combinadas a volumes maiores de recursos, proporcionam maior estabilidade. Na França, por exemplo, o setor recebe suporte público significativamente superior, refletindo em maior escala de projetos e royalties para o mercado.
Especialistas dizem que o país precisa avançar na compreensão de direcionamentos orçamentários, marco regulatório e fiscal, para consolidar um ritmo sustentável de crescimento. Enquanto isso, o audiovisual brasileiro segue enfrentando déficits de visibilidade e de planejamento estratégico.
A discussão continua entre representantes da cadeia produtiva, governo e público, com o objetivo de reduzir a dependência de financiamento de distribuidores e ampliar a participação de produtores, realizadores e distribuidores de cinema brasileiro.
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