A bancada ruralista intensificou a pressão sobre o governo para liberar recursos do Fundo Social do Pré-Sal destinados à renegociação das dívidas do setor. Em reunião da Frente Parlamentar da Agricultura, nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, a senadora Tereza Cristina afirmou que o Executivo resiste em destinar cerca de 30 bilhões de reais previstos no projeto em tramitação no Congresso.
Ela criticou o PL 5.122 de 2023, que trata do uso do Fundo do Pré-Sal para crédito rural com juros menores e prazo de até 15 anos. Segundo a senadora, o texto não abrange a atual crise do agronegócio e precisa ser ampliado para alcançar mais produtores. A versão atual é defendida pelo relator Renan Calheiros, do MDB, e está sob avaliação do Senado.
Desdobramentos e cenário fiscal
O Senado trabalha para ajustar a proposta. Caso não haja acordo com o governo, a votação pode ocorrer já na próxima semana. A senadora mencionou que a alta na receita do petróleo em 2026 pode abrir espaço fiscal para a medida, favorecida pela maior oneração sobre o barril.
Tereza Cristina destacou que a combinação de várias fontes de recursos pode viabilizar a renegociação, desde que haja vontade política. Ela afirmou ainda que o atraso na resposta do Executivo pode elevar custos futuros e impactar a próxima safra, com consequências para a produção e os preços de alimentos.
Diálogo com o governo
A senadora informou ter se reunido na segunda-feira, 4 de maio, com o ministro da Agricultura, André de Paula, e com o ministro da Fazenda, Darci Durigan, para apresentar as demandas do setor. O objetivo é tratar o tema como prioridade, dadas as implicações para a segurança alimentar e para a economia.
Autoridades do governo não prometeram, nesta etapa, antecipar recursos, mas sinalizaram que há espaço fiscal decorrente do cenário de receita com o Pré-Sal. A proposta segue em tramitação e pode sofrer novas mudanças antes de qualquer votação final.
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