Em 2022-2025, o Judiciário registrou aumento de processos ligados ao crime organizado, de 17.481 para 28.463, uma alta de 62%. Entre janeiro e março de 2025, foram instaurados 7.081 procedimentos nesse campo, mantendo a média mensal próxima de 2.400. Os dados são do CNJ.
A fila de ações pendentes também cresceu: até março, havia 29.324 casos sem julgamento. Em comparação com 2020, o volume atual quase dobrou, já que aquele ano encerrou com 12.634 casos nessa pauta.
A atuação das facções
Mapeamento de 2024 da Senappen aponta pelo menos 88 organizações criminosas atuando dentro e fora de prisões. Essas facções dominam cerca de 1.760 pavilhões e têm atuação dominante em várias regiões do país, com PCC e CV entre as mais conhecidas. Estima-se que 50 milhões de pessoas, cerca de 24% da população, vivam em áreas sob influência indireta dessas atividades, segundo estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Cambridge University Press.
Os grupos estão ligados a roubos a bancos e empresas de transporte de valores, além de tráfico de drogas e armas, com impactos na segurança pública e na economia.
Ações do governo
O governo federal planeja lançar o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com foco em desmantelar o potencial financeiro dessas organizações. Em paralelo, o Executivo ampliou, no fim de abril, o orçamento para segurança pública em 900 milhões de reais, reforçando fundos como o Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional.
A medida está alinhada à Lei Antifacção, sancionada em março, que prevê penas mais duras a organizações criminosas. Em relação a cooperação internacional, o presidente sugeriu, em conversa recente com o governo dos EUA, a criação de um grupo de trabalho regional para enfrentar facções criminosas no continente, com participação de múltiplos países.
Entre na conversa da comunidade