O CNJ, a AMB e a Ajufe repudiaram nesta semana uma charge publicada pela Folha de S.Paulo que utilizou a imagem de uma lápide para criticar a remuneração da magistratura. A publicação saiu no sábado, 9 de maio de 2026, poucos dias após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, do TJ do Rio Grande do Sul (TJRS). A morte ocorreu em contexto de procedimento médico relacionado ao desejo de ser mãe.
Em nota oficial, o presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, afirmou que a liberdade de imprensa e o direito à crítica são fundamentos da democracia, mas pediu prudência e responsabilidade, principalmente em momentos de luto. O CNJ destacou que a deslegitimação constante da magistratura ameaça estruturas de proteção das liberdades e da estabilidade republicana.
A Ajufe classificou a charge como grave e insensível, afirmando que a imagem da lápide banaliza a morte e desrespeita o luto da categoria. A entidade ressaltou que a magistratura já passava por um período de luto pela perda da juíza. A AMB também considerou a publicação ofensiva e disse que a liberdade de imprensa deve vir acompanhada de responsabilidade, especialmente quando o debate ocorre em contextos trágicos.
Contexto e desdobramentos
Segundo as entidades, a crítica institucional é legítima, mas não pode transformar a magistratura em alvo de escárnio ou desumanização. As associações reiteraram solidariedade à família de Mariana Francisco Ferreira e defenderam o respeito institucional e a dignidade humana durante o debate público. As notas destacaram ainda que a crítica pode ocorrer sem desrespeito às pessoas envolvidas.
Brasília recebeu as manifestações das entidades, que também reforçaram a importância de manter o tom humano mesmo em processos de dissenso público. O trio CNJ, AMB e Ajufe informou que continuará acompanhando o tema e avaliando providências cabíveis dentro do marco democrático e legal.
O conteúdo da charge e as reações das entidades foram divulgados por meio de notas públicas, destacando que a imprensa tem papel essencial na fiscalização e no debate democrático, desde que haja responsabilidade e sensibilidade aos contextos humanos envolvidos.
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