O PL pretende vincular a candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio de Janeiro à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia visa explorar a rejeição de Lula no estado, berço do bolsonarismo, para criar uma leitura de alinhamento entre Paes e o petista.
Em comentário interno, bolsonaristas do Rio afirmam planejar colocar Paes “no colo de Lula”, buscando transferir ao ex-prefeito parte da rejeição ao líder petista. O Rio é o terceiro maior colégio eleitoral do país e concentra 8,36% dos eleitores.
Lula perdeu no Rio em 2022, com 43,47% dos votos, enquanto Bolsonaro ficou com 56,53%. Na capital, Paes também liderou no pleito presidencial de 2022, ao superar Lula com 52,66% contra 47,34%.
Contudo, Paes aparece como favorito na disputa estadual. Em levantamento Genial/Quaest do fim de abril, Paes tem 34% das intenções de voto, frente a 9% do candidato do bolsonarismo, Douglas Ruas, atual presidente da Alerj.
Segundo a pesquisa, no segundo turno Paes derrotaria o adversário por 49% a 16%. A ideia é ampliar a base de Paes sem deixar o bolsonarismo consolidado no estado, que historicamente apoia o ex-presidente.
Paes escolheu como vice uma mulher evangélica, a advogada Jane Reis, irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e aliado próximo da família Bolsonaro. A chapa busca ampliar o leque de apoio no eleitorado conservador.
Analistas afirmam que a proximidade com Lula gera riscos, mas também pode ampliar o arco de apoio a Paes no Rio. O ganho depende de como a relação com o petista será apresentada no decorrer da campanha.
Para o campo bolsonarista, a queda da votação de Bolsonaro entre 2018 e 2022 no Rio — de 67,95% para 56,53% — é um sinal de fragilidade que pode favorecer Paes. A leitura é de que o cenário estadual é mais estável para o candidato do PSD.
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