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Apoio republicano a Trump não é incondicional, afirma especialista em tiranos

Especialista afirma que apoio a Trump não é incondicional; aliados podem abandoná-lo caso perca capital político, cavando sua própria queda

O cientista político Marcel Dirsus
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Donald Trump pode parecer dominante, mas o cientista político alemão Marcel Dirsus vê um risco de queda: aliados podem virar as costas quando ele não for mais útil para a reeleição. O alerta está no livro Como os Tiranos Caem, recém-lançado no Brasil pela editora Rocco.

Dirsus analisa Trump em um ciclo de pressão externa, tarifas e uma atmosfera de medo, características de tiranos estudadas por ele. Segundo o pesquisador, o presidente tende a cercar-se de quem diz o que ele quer ouvir, o que aumenta erros e reduz popularidade.

O livro, lançado em inglês em 2024, mergulha em casos de tiranos desde a Rússia imperial até a Líbia de Gaddafi para identificar padrões na ascensão e na queda de regimes autoritários. A obra também compara essas dinâmicas com democracias liberais.

Entre os temas destacados estão o equilíbrio entre agradar elites próximas e mantê-las sob controle, além da necessidade de fragmentar o poder das Forças Armadas para evitar golpes internos, mesmo que isso enfraqueça a defesa externa.

Dirsus sustenta que democracias não precisam agradar a todos, mas seus incentivos para entregar algo de positivo aos eleitores são bem diferentes dos regimes autoritários, que buscam manter o poder a qualquer custo.

O autor aponta que tiranos alimentam medo constante para sufocar críticas, dificultando a identificação de traidores entre aliados e dificultando a responsabilização pública por erros graves.

Em estudo sobre o Irã, ele compara estruturas de segurança que visam a sobrevivência do regime à necessidade de uma atuação eficaz contra adversários. A comparação busca entender o custo de manter o poder.

O livro também analisa casos como Venezuela e Hungria, destacando que a oposição pode vencer mesmo sob regimes autoritários, e que a derrota de líderes como Orbán decorre de falhas no governar e em entregar resultados.

Sobre tecnologia e democracia, Dirsus afirma que as ferramentas digitais podem favorecer tiranos pela escala de controle, mas também oferecem vias para resistência. O equilíbrio entre vigilância e libertação permanece em aberto.

Em síntese, o autor descreve dilemas centrais de tiranos: gestão de elites, controle militar e uso de tecnologia. Ele aponta que mudanças institucionais, em democracias ou regimes autoritários, moldam os desfechos políticos com maior ou menor previsibilidade.

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