O governo de Donald Trump enfrenta contradições em políticas de prevenção de overdoses em poucas semanas. A administração propôs medidas que podem salvar vidas e outras que, segundo especialistas, podem ampliar dificuldades e elevar o risco de overdoses. Entre as ações, há banimento de financiamento a tiras de fentanol e movimentos de corte de orçamento.
O gabinete indicou que não financiará tiras de teste de fentanyl e outros adulterantes perigosos usados por pessoas que consomem drogas. A medida foi anunciada em carta de abril da Substance Abuse and Mental Health Services Administration (Samhsa). Especialistas avaliam que a defasagem financeira dificulta identificar produtos adulterados.
A situação se soma a histórico de ataques a estratégias de redução de danos, defendidas por ativistas de saúde pública. As intervenções incluem tiras de teste, naloxona nasal e campanhas como a orientação de “nunca use sozinho”. Essas ações variam conforme as agências do governo.
Conflitos de políticas e orçamento
Em janeiro, o CDC sinalizou oposição à mensagem de “nunca use sozinho”, mantendo, porém, apoio a tiras de teste. Em abril, o governo propôs cortes que, se aprovados, poderiam retirar US$ 10 bilhões de programas de prevenção e pesquisa de dependência.
No mês seguinte, o White House anunciou a Estratégia Nacional de Controle de Drogas, que combate tráfico e aumenta vigilância tecnológica, incluindo monitoramento de esgoto para traçar o que é consumido. Contudo, analistas apontam uma falta de coordenação entre órgãos orçamentários e de políticas.
Maritza Perez Medina, da Drug Policy Alliance, reconhece avanços na estratégia, como maior acesso à naloxona e tratamento, mas questiona os cortes anunciados. Medina afirma que políticas de expansão de serviços contrastam com a redução de financiamentos.
Para implementar a estratégia, o Congresso precisará rejeitar os cortes propostos. Analistas lembram que mudanças dependem de espaço político e de alinhamento entre o Office of National Drug Control Policy e o Office of Management and Budget.
Observações técnicas e críticas
O uso de monitoramento de esgoto é destacado na estratégia para acompanhar substâncias na rede de drogas. Especialistas ressaltam que esse método não fornece o retrato individual e pode não detectar substâncias com rapidez.
Dr. Nabarun Dasgupta, diretor do Opioid Data Lab, afirma que cortar o financiamento de tiras de teste reduz a capacidade de usuários evitarem overdoses. Segundo ele, financiar apenas a reversão de overdoses não resolve o problema original.
O debate também envolve a eficácia de diferentes ferramentas de redução de danos. Enquanto as tiras de teste ajudam a evitar overdoses, outras tecnologias modernas são citadas como avanços que podem melhorar a precisão no tratamento da dependência.
O governo não confirmou respostas oficiais ao Guardian para este conjunto de perguntas. Especialistas destacam que a implementação depende de cooperação entre diversas áreas da administração. O tema segue sob observação de órgãos de saúde e defesa de políticas públicas.
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