O governo de Goiás iniciou uma revisão do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, com o objetivo de avaliar a viabilidade de atividades de mineração na Chapada dos Veadeiros. A iniciativa ocorreu ainda durante a gestão de Ronaldo Caiado, e busca, entre outros pontos, ampliar o número de projetos de minerais estratégicos na região.
Dados internos indicam que há mais de 130 processos de pesquisa e exploração minerária ativos na área junto à Agência Nacional de Mineração, cobrindo cerca de 528 mil hectares que circundam o parque nacional. A maior parte desses projetos envolve minerais críticos e manganês, com perspectivas de impacto significativo sobre o território.
A revisão envolve mudanças nas regras atuais da APA para permitir uma convivência entre mineração e conservação ambiental. Um grupo de trabalho da Semad foi criado para discutir o tema, com avaliação de que a exploração seria juridicamente possível se o plano de manejo for alterado. O objetivo é obter maior compatibilidade entre atividade econômica e proteção ambiental.
Paralelamente, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aponta que a área já concentra dezenas de projetos de minerais críticos, incluindo terras raras, cassiterita, níquel e manganês. Os dados indicam que, sozinha, a área em estudo soma centenas de milhares de hectares.
No Colinas do Sul, município que abriga parte da APA, ocorreu um encontro do Conselho Consultivo nos dias 8 e 9 de novembro, com foco nas contribuições de moradores para a revisão do Plano de Manejo. As etapas previstas incluem oficinas com comunidades, consultas aos conselheiros e devolutivas municipais.
O governo aponta que, apesar das mudanças, a proposta não visa flexibilizar de modo geral o uso da área, mas promover diálogo com a população para avaliar o interesse pela atividade mineral na região. A gestão afirma manter o foco na participação comunitária e na avaliação de impactos.
A Chapada dos Veadeiros é reconhecida internacionalmente por sua natureza e por atrair visitantes de todo o mundo. Em Goiás, a agenda de minerais críticos já ganhou impulso com medidas como a criação da Autoridade Estadual de Minerais Críticos e de um fundo específico para o setor, anunciadas pelo governo no ano anterior.
Em março, Caiado assinou um memorando com o governo dos Estados Unidos sobre minerais críticos, visando acesso a dados geológicos sob termos confidenciais. No mês passado, a USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde, mineradora goiana de terras raras, em operação no estado, por cerca de US$ 2,8 bilhões.
As discussões sobre mineração na Chapada ocorrem em meio a tensões entre preservação ambiental e estímulo econômico, em um cenário de diversificação da matriz produtiva estadual. A gestão atual afirmou que as ações são pautadas pelo diálogo com comunidades locais e pela legalidade das mudanças propostas.
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