Quase uma semana após Daniel Vorcaro apresentar uma proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), as investigações avançam e colocam em risco a eficiência da colaboração. A expectativa era que o dono do Banco Master apontasse figuras políticas e magistrados, mas o conteúdo inicial é visto por especialistas como pouco revelador.
A PF confirmou a continuidade da apuração da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema financeiro ligado à liquidação do Master. As diligências incluem cruzar informações com a atividade parlamentar e relações de Vorcaro com terceiros.
A defesa de Vorcaro entregou a proposta a autoridades federais, ainda sem divulgação detalhada. O documento permanece sob sigilo e está sujeito a análise do ministro do STF André Mendonça, relator das investigações.
Análise de especialistas
Segundo o blog de Natália Martins, um dos investigadores da PF, o conteúdo tende a responsabilizar principalmente o que chamam de terceiro escalão, sugerindo proteção a outros envolvidos. Advogados consultados destacam que a homologação depende da robustez das provas apresentadas.
Para o advogado Alexandre Carvalho, a homologação pode ser adiada ou rejeitada se não houver nomes e provas consistentes que justifiquem o acordo. Ele afirma ainda que a polícia já vem reunindo elementos que, se consolidados, podem influenciar a decisão do judiciário.
Perspectivas do acordo
A negociação segue sob sigilo, sem prazo definido para conclusão. Após a análise, serão discutidos os benefícios da delação, que precisam ser aprovados pelo STF. O processo envolve a validação de que as informações fornecidas são relevantes para elucidar o esquema do Master.
Vorcaro está detido desde o início de março. A PF já solicitou, na semana passada, que ele retorne à Penitenciária Federal de Brasília por suposta falta de empenho em colaborar. Em seguida, ele foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília, onde continua em negociação.
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