O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que há risco de a medida que encerra a escala 6×1 sofrer manobra no Congresso. Ele citou a possibilidade de a Câmara aprovar a PEC em detrimento do projeto de urgência encaminhado pelo presidente Lula, o que poderia engavetar a proposta no Senado.
Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, da EBC, Boulos explicou o cenário: se a PEC for votada sem urgência no Parlamento, a tramitação fica parada no Senado. O ministro pediu atenção para evitar esse desfecho.
Boulos também criticou propostas de transição para a jornada de trabalho que circulam no Congresso, que preveem redução da escala em até cinco anos. Segundo ele, tais medidas teriam efeito “empurrar com a barriga” e beneficiariam apenas determinados setores.
Posição sobre o processo de transição e apoio ao trabalhador
O ministro disse que mudanças escalonadas são injustas com trabalhadores e criticou o que chamou de “penduricalhos” ou desonerações para grandes empresários. Afirmou que, na prática, medidas pró-trabalho devem valer de imediato.
Além disso, Boulos afirmou que parte do agronegócio contrária ao fim da escala 6×1 adota lógica similar à resistência histórica de setores contra mudanças estruturais. Citou lideranças do setor e criticou contrapor a favor da economia.
O ministro também se posicionou contra a proposta do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) que obrigaria o governo a compensar empresários pela redução da jornada, chamando-a de “bolsa-patrão” e de absurda.
Boulos comentou ainda críticas de economistas ao governo sobre a taxa Selic. Disse que certos analistas defendem cenários impraticáveis, como Selic hipotética de 1000%. Também negou apoio a qualquer flexibilização de regras associadas à atividade econômica.
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