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Governo conta com adesão informal de Estados a plano contra facções

Governo afirma que o Brasil Contra o Crime Organizado pode iniciar sem adesão formal de Estados, mas depende da coordenação interfederativa e da capacidade operacional local

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta 3ª feira (12.mai.2026), na cerimônia de lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado
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O governo federal anunciou que o Programa Brasil Contra o Crime Organizado pode iniciar suas atividades mesmo sem adesão formal dos estados. A afirmação foi feita pelo Ministério da Justiça, que joga pela efetividade operacional ao priorizar a integração entre secretarias, polícia e Justiça, independentemente de alinhamento político com governadores.

Durante a coletiva, o enfoque passou a ser a participação prática dos agentes de segurança. O Planalto indicou que a presença de secretários estaduais, comandantes de polícia e representantes dos órgãos do Judiciário foi expressiva, com a participação de 25 dos 27 procuradores-gerais estaduais, além de membros do CNJ e tribunais superiores.

A estratégia prioriza a coordenação técnica sobre acordos políticos federais-estaduais. O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, descreveu o programa como uma iniciativa de coordenação interfederativa, que busca integrar bases de dados, operações e inteligência. A previsão é que mais de 500 mil agentes atuem, cada um em sua função, para unificar ações.

Entretanto, existem entraves para a implementação prática. Burocracia, licitações lentas, deficiências estruturais em presídios e limitações fiscais para contratações são apontados como obstáculos. O Ministério da Justiça trabalha com Fazenda e Planejamento para abrir linhas de crédito e viabilizar resources financeiros aos estados.

A PEC da Segurança Pública foi apresentada como base legal adicional, ainda que o início das ações não dependa de sua aprovação. O governo sustenta que o texto constitucional já oferece amparo para a continuidade do plano, com a PEC potencializando o financiamento de forma mais autônoma.

No discurso de lançamento, Lula reconheceu que a segurança pública ficou majoritariamente para os estados desde a Constituição de 1988, ressaltando que a União volta a atuar de forma mais ativa. O presidente comentou críticas sobre o fluxo entre prisões e liberações pelo Judiciário, destacando a necessidade de cooperação entre União, estados e Justiça.

Apesar da ausência de governadores no evento, o Planalto destacou a participação de técnicos, secretários estaduais e representantes das forças de segurança como evidência de apoio institucional ao programa. A proposta enfatiza o objetivo de ampliar a cooperação intergovernamental para enfrentar o crime organizado.

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