Kássio Nunes Marques tomou posse nesta terça-feira como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas, destacando o sistema como patrimônio institucional da democracia brasileira. O novo presidente assumiu o cargo durante as eleições presidenciais deste ano, em Brasília, com André Mendonça como vice-presidente.
A cerimônia ocorreu na sede do TSE e reuniu autoridades e integrantes do tribunal. Nunes Marques afirmou que o voto direto é fundamental para a cidadania, ressaltando a necessidade de preservar a confiança pública no eleitor eletrônico, mesmo quando o resultado não agrada a todos.
O ministro enfatizou que nenhum modelo de Estado satisfará todas as pessoas, destacando que a democracia possui mecanismos de autocorreção. Ele ressaltou que governos, povos, parlamentos e tribunais podem errar, mas existem possibilidades de revisão e alternância institucional.
Nunes Marques se comprometeu a conduzir as eleições dentro da normalidade democrática, respeitando as instituições e fortalecendo a confiança no voto livre. O discurso também enfatizou a importância de manter a vontade soberana do povo na definição da democracia brasileira.
Este é o primeiro mandato de ministros indicados por Jair Bolsonaro à frente do TSE durante uma eleição, o que marca uma mudança histórica na instituição para o pleito atual. Flávio Bolsonaro, aliado e pré-candidato, figura entre os principais concorrentes contra Lula neste ano.
Durante a posse, o clima foi assunto: Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ficaram lado a lado, sem trocarem cumprimentos formais ou conversas, segundo nota de cobertura. O encontro chamou atenção pela ausência de diálogo explícito entre os dois.
Ainda na cerimônia, o presidente da OAB, Beto Simonetti, cumprimentou o advogado-geral da União, Jorge Messias, cuja indicação ao STF foi rejeitada. O gesto foi aplaudido no plenário, enquanto Alcolumbre permaneceu neutro diante da situação.
Inteligência artificial ganhou destaque no discurso de Nunes Marques, descrita como desafio central para as eleições de 2026. O ministro observou que o ambiente digital influencia campanhas, que já chegam às urnas também por meio de algoritmos e redes online.
O TSE trabalha desde 2023 para antecipar riscos da IA no processo eleitoral, sobretudo após a circulação de vídeos hiper-realistas. Em 2024, o tribunal proibiu deepfakes e conteúdos manipulados na propaganda municipal, buscando equilíbrio institucional.
Para 2026, as regras sobre IA foram ampliadas: conteúdos produzidos ou alterados por IA não devem ser publicados ou impulsionados nas 72 horas que antecedem a votação nem nas 24 horas seguintes ao encerramento. A sinalização obrigatória de uso de IA permanece em vigor.
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