A Polícia Federal aponta um esquema de contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal ligado à família do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium. O alvo principal é Fabrício de Souza Almeida, sobrinho de Denarium, investigado por financiar a rede que movimentou milhões por meio de empresas fantasmas. As apurações começaram nesta terça-feira, 12 de maio de 2026.
A operação envolve a empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício, que teria realizado as transações financeiras do grupo, mesmo sem estrutura operacional ou quadro de funcionários. Relatórios do Coaf indicam discrepância entre a atividade declarada e o volume de dinheiro movimentado, com saques em espécie e transferências entre contas vinculadas ao grupo.
A investigação ganhou impulso após abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-174, em 2020. Na ocasião, Fabrício e outro ocupante de veículo apresentaram versões contraditórias sobre o trajeto entre Roraima e Rondônia. Endereços ligados ao esquema teriam ligação com a Fazenda J. Bastos, de propriedade declarada por Denarium à Justiça Eleitoral em 2018.
Histórico e réus na Justiça Federal
Fabrício de Souza Almeida tem antecedentes ligados ao setor. Em 2010, foi preso em flagrante na Operação Roosevelt, em Rondônia, com diamantes e dinheiro vivo. Atualmente, é réu em ação da Justiça Federal por organização criminosa e lavagem de dinheiro, acusado de financiar garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. As movimentações teriam totalizado cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021.
O Ministério Público Federal aponta pagamentos a pilotos e registros de voos durante as operações. O Poder360 tentou contato com a defesa de Fabrício via FB Serviços, sem sucesso até o momento. A reportagem permanece buscando posicionamento.
O jornal também solicitou manifestação de Antonio Denarium, sem retorno até a publicação. O texto será atualizado caso haja resposta oficial.
Cassação
A apuração ocorre em meio a fragilidade política da família. Em 28 de abril de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral formou maioria para manter a cassação da chapa de Denarium e do vice Edilson Damião, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão amplia o contexto das investigações envolvendo o entorno do ex-governador.
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