O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, associou o caso chamado “emenda Master” ao governo de Jair Bolsonaro, afirmando que haveria uma relação única entre o clã Bolsonaro e o Banco Master. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (14/5) a partir de áudios divulgados pelo Intercept Brasil que ligam o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo Haddad, figuras do governo Bolsonaro teriam mantido vínculos com Vorcaro, entre elas o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, e o Banco Central, sob comando de Roberto Campos Neto, teria autorizado a operação de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O ex-ministro afirmou que não haveria separação entre Bolsonaro e o Master, citando a autorização de operar como evidência.
Haddad destacou que houve doações de campanha recebidas por Jair Bolsonaro e por outros integrantes do governo a Vorcaro, acrescentando que diferentes secretarias sob Bolsonaro também teriam relação com o empresário. Ele reiterou a ideia de que toda a relação de Vorcaro seria com o governo Bolsonaro, descrevendo a relação como estreita e permanente.
A reportagem do Intercept aponta que Vorcaro teria destinado cerca de 61 milhões de reais para a produção do filme Dark Horse, entre fevereiro e maio de 2025, com recursos transferidos a um fundo nos Estados Unidos em nome de um aliado de Eduardo Bolsonaro. Segundo Haddad, a emenda conhecida como Master contemplava aumento da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e, segundo ele, poderia ter sido aprovada caso Bolsonaro tivesse sido reeleito.
Ciro Nogueira, senador e presidente do PP, esteve no centro de operação policial da Polícia Federal após investigações indicarem pagamentos de propinas a ele em troca de favorecimento ao Banco Master. A PF cumpriu buscas e apreensões em endereços ligados ao congressista, noticiou a operação vinculada ao caso.
Além de redigir proposições para o Senado, Vorcaro também teria elaborado uma emenda à PEC de autonomia do BC que ampliava a cobertura do FGC de 250 mil para 1 milhão de reais, mas a proposta não avançou. O conjunto de informações sugere uma relação entre Vorcaro, o Master e membros do governo em diferentes esferas.
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