O ministro da Saúde do Reino Unido, Wes Streeting, anunciou nesta quinta-feira a renúncia, alegando ter perdido a confiança na liderança de Keir Starmer. A medida ocorre em meio a uma crise no Partido Trabalhista, após resultados fracos nas eleições locais, realizadas em 7 de maio, e retração de apoio de sindicatos e parlamentares.
Streeting representa a ala direita do partido e era visto como possível rival de Starmer na disputa pela liderança. Em sua carta de renúncia, divulgada nas redes, ele criticou a necessidade de uma visão mais ampla para o futuro do trabalhismo.
A renúncia de Streeting aumenta a pressão sobre Starmer, que já enfrentava saídas de membros do governo. Na semana, quatro secretários de Estado deixaram seus cargos, aumentando a instabilidade interna. O partido viu, ainda, 86 deputados pedirem a renúncia do líder.
Aceleração de disputas internas
Streeting pediu um amplo debate com maior diversidade de candidaturas para definir o futuro do trabalhismo, sem confirmar se concorrerá à liderança. Para obter apoio, ele precisa de 81 deputados, o equivalente a 20% da bancada.
Angela Rayner, ex-vice-primeira-ministra e figura relevante da ala esquerda, também foi apontada como possível candidata. Rayner declarou ter sido inocentada em um caso fiscal e afirmou que não pretende enfrentar Starmer, mas sugeriu que ele reavalie sua posição.
A ala esquerda conta com apoio popular entre parlamentares como Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester. Burnham precisaria vencer uma eleição parcial para se tornar deputado e participar da consulta interna de liderança.
Repercussões no partido e no governo
Sindicatos alinhados ao Trabalhismo retiraram o apoio a Starmer, em comunicado público na rede social. O tema da liderança permanece aberto, com o partido sob vigilância de militantes, sindicatos e eleitores. O plenário está dividido entre apoio e ceticismo à gestão atual.
O que acontece a seguir depende do desdobramento interno do partido e das articulações entre as facções. A direção trabalhista enfrenta a necessidade de recuperar legitimidade diante da população e das bases sindicais.
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