A soberania digital envolve o poder de um país controlar seus dados, infraestrutura tecnológica e regras do ambiente online. O tema ganhou importância à medida que serviços on-line ficam concentrados em empresas estrangeiras, como Amazon, Microsoft e Google, gerando dependência tecnológica e influência sobre políticas públicas.
Luli Radfahrer sustenta que apenas armazenar dados no território nacional não resolve tudo. Tecnologias como criptografia, IA e conhecimento técnico ainda são dominadas pelo exterior. Para alcançar soberania, é preciso desenvolver capacidade local para auditar, entender e reproduzir sistemas digitais.
Criar infraestrutura própria é caro e complexo, o que leva governos e empresas a depender de plataformas internacionais. O bloqueio do WhatsApp no Brasil, em 2016, é citado como exemplo de vulnerabilidade. Por outro lado, o Pix é apontado como caso de infraestrutura digital nacional bem-sucedido.
A pesquisadora aponta que a concentração de grandes plataformas aumenta a dificuldade de enfrentar desinformação e crimes digitais globais. A ideia central é que independência total não é viável, mas é possível avançar com diversificação tecnológica e fortalecimento de competências nacionais em áreas críticas.
Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, às sextas, às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e no YouTube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e da TV USP.
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