A polarização entre lulistas e bolsonaristas domina o cenário político, mas o cientista Jairo Nicolau afirma que o fenômeno atinge apenas uma parcela pequena do eleitorado. Em seu livro O País Dividido, ele analisa eleições de 2002 a 2022. O estudo sugere que a polarização está concentrada em até 20% dos eleitores.
Nicolau é professor titular do CPDOC/FGV. Em entrevista, ele revela que mudanças no eleitorado, como idade, escolaridade e participação feminina, alteraram o desenho das disputas. Segundo ele, mulheres, especialmente jovens, tendem a votar em Lula.
O pesquisador aponta trajetória de transformação educacional, com eleitores de ensino médio migrando para a direita, e evangélicos mantendo posição conservadora. Evangélicos, segundo ele, passaram a representar um motivo determinante na escolha de candidatos.
Ele distingue o papel das redes sociais na democracia, destacando que a direita domina o debate online entre os 30 politiquês mais populares em plataformas. A influência dessas redes, afirma, exige pesquisas mais profundas para entender impactos.
Outra constatação é a consolidação do PL como força política expressiva. Para Nicolau, o partido representa uma direita ideologicamente mais definida, com filiação de lideranças diversas e maior capilaridade de dinheiro e apoio.
Quanto ao caso Master e a candidatura de Flávio Bolsonaro, o cientista avalia que a retirada do candidato tende a gerar custo político elevado. Acredita que o cenário atual traz estabilidade inicial para a candidatura.
O estudo também discute abstenção. Dados de eleições anteriores mostram que parcela com menor escolaridade tende a votar menos, o que poderia impactar o desempenho de Lula. Avalia-se o grau de mobilização que a campanha pode produzir.
Para o conjunto das seis eleições analisadas, Nicolau prevê continuidade de mudanças no quadro partidário. A tendência é de reconhecimento de um bloco de direita mais organizado e da presença de novas lideranças em diferentes núcleos regionais.
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