Desde 2022, a Espanha aprovou a Lei da Memória Democrática para eliminar símbolos que enalteçam o regime de Franco em espaços de acesso público. No entanto, bares e restaurantes que exibem imagens e itens ligados ao ditador continuam a existir em diferentes regiões.
A reportagem identifica locais próximos a estradas que exibem símbolos, retratos e peças de mobiliário com referências ao franquismo. Em Madrid, o bar- restaurante Una Grande Libre exibe falas e imagens do período, com uma foto grande do ditador na fachada e símbolos nacionais nas paredes internas.
Casas como El Cangrejo, em Ciudad Real, e Casa Pepe, em Despeñaperros, apostam em decorações com as cores da bandeira espanhola, além de itens históricos relacionados à Falange e ao Águia de San Juan. Em muitos casos, há itens de memória ligados ao regime.
Entre as particularidades observadas, destaca-se a presença de objetos de consumo que remetem ao franquismo, como itens de mercearia com marcas do período, além de lojas anexas vendendo memorabilia. Em algumas redes, a rota de visitação dá-se pelo turismo de nostalgia.
O caso de Una Grande Libre chama atenção por ter um proprietário estrangeiro, Xiangwei Chen, um imigrante chinês. Ele já gerou controvérsia ao nomear o filho de Franco e a língua do local alterna entre celebração e ambiguidade histórica, segundo relatos de moradores.
A lei foi objeto de debate público quando foi anunciada para extinguir a Fundação Francisco Franco, alvo de disputas legais. Em 2026, o governo espanhol assinou a resolução para dissolver a fundação, consolidando parte dos objetivos da legislação, mas a implementação permanece lenta.
Especialistas ouvidos destacam que a aplicação prática da lei depende de ações do Ministério da Memória Democrática. O andamento de investigações, a remoção de símbolos em locais de acesso público e a identificação de corpos em rasos de memória ainda enfrentam entraves burocráticos e políticos.
A presença de símbolos franquistas em estabelecimentos de alimentação evidencia a complexidade do processo de reconciliação histórica na Espanha. A continuidade desses espaços sugere que mudanças estruturais na memória pública continuam em curso, mesmo após avanços legais.
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