O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) permanece preso desde 5 de maio, na operação da Polícia Federal conhecida como Unha e Carne. A PF notificou que áudios e mensagens apontam atuação direta do parlamentar em cargos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc-RJ) e negociações de vagas para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, o Júnior do Beco. O material compõe o inquérito enviado ao STF no fim de abril.
Segundo apurações, o grupo chefiado por Rangel estaria envolvido em fraudes de contratos da rede estadual de ensino, com indícios de desvios de recursos e de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e uma rede de postos de combustíveis. As informações constam de trechos de áudios obtidos pela PF e exibidos pela TV Globo, nos quais o parlamentar dá orientações à supervisora regional da Educação no Noroeste Fluminense.
Júcia Gomes de Souza Figueiredo, diretora regional de Educação do Noroeste, foi indicada pelo próprio Rangel para o cargo e também foi presa em 5 de maio. A PF aponta que a regional, responsável por 57 escolas distribuídas em 13 cidades, abriga um quadro de mais de 3 mil funcionários.
Relação com traficante
A investigação indica que o deputado disponibilizou duas vagas vinculadas à Seeduc para pessoas indicadas pelo traficante Júnior do Beco. Uma das pessoas beneficiadas seria a irmã do envolvido, Gleice Maria Batista da Silva, que teria cobrado respostas ao parlamentar em uma mensagem gravada.
Outras conversas chamaram a atenção da PF. Em diálogo com o braço-direito de Rangel, o caso envolve propostas de retaliação contra um adversário político, com instruções para que fosse adotado um bote para prejudicar o oponente. O parlamentar, conforme o material, concordou com o plano.
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