A desembargadora do Trabalho Adenir Carruesco relatou um episódio de racismo vivido no último fim de semana, em um supermercado. Segundo o relato, uma cliente insistiu em saber preços e a localização de produtos ao pensar que Carruesco trabalhava no local. Carruesco publicou o relato nas redes sociais no domingo, 17, em Mato Grosso.
Na publicação, a magistrada afirmou que, sem a toga, é tratada como qualquer pessoa comum, destacando que a visão de parte da sociedade sustenta uma lógica que reduz negras a serviçais. Ela ressaltou que o problema não foi a atitude da cliente, mas a lógica subjacente que precisa ser desmontada.
Carruesco ingressou na magistratura em 1994 e foi presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, que atua em Mato Grosso. Ela mencionou ainda a baixa representatividade de pessoas negras, sobretudo mulheres, no STF e nos tribunais superiores, citando dados do CNJ de 2023: 82,5% dos magistrados são brancos; 1,4% negros e 13,6% pardos; 59,3% são homens.
Realidade no Judiciário brasileiro
A desembargadora destacou a pouca presença de magistrados negros e pediu reflexão sobre o tema, sem atribuir culpas às pessoas diretamente envolvidas na situação. Dados oficiais apontam que a representatividade ainda está aquém do ideal para a composição da Justiça.
Contexto político e institucional
O texto também aborda o debate sobre indicações ao STF após a antecipação da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. O presidente Lula indicou inicialmente um nome, que não foi aprovado pelo Senado, e há rumores sobre uma nova apresentação.
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