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Movimento evangélico universitário é denunciado ao MPF por culto na UFMG

Líder do Aviva Universitário é intimado pelo MPF para esclarecer culto na UFMG; investigação analisa violação da laicidade e continuidade do processo

Lucas Teodoro, do movimento evangélico Aviva Universitário, teve de prestar esclarecimentos sobre um culto realizado na UFMG. (Foto: Reprodução/Instagram/Lucasteodoroficial)
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O líder do movimento evangélico Aviva Universitário, Lucas Teodoro, foi intimado a prestar esclarecimentos ao Ministério Público Federal (MPF) na última semana. A investigação envolve um culto realizado nas dependências da UFMG, em junho de 2025, após denúncia da Associação Movimento Brasil Laico. O MPF acompanha o caso desde o ano anterior.

Em vídeo publicado no Instagram, Teodoro afirmou que o culto reuniu vários jovens em joelhos dentro da universidade para clamar por avivamento e arrependimento, sendo a atividade voluntária. Ele ressaltou que não houve uso de som e que tudo ocorreu no ambiente acadêmico, na Praça de Serviços do campus Pampulha.

A denúncia aponta possível violação ao princípio da laicidade do Estado, trazendo a acusação de uso indevido de recursos públicos. O documento, apresentado em 2025, também pede a instauração de procedimento para proibir novos cultos em espaços públicos de universidade e limitar conteúdos religiosos vinculados ao Aviva School.

Arquivamento e retomada do processo

O MPF, na época, arquivou o caso por falta de fatos novos, alegando que o culto não apresentou coação nem desvirtuamento de recursos públicos. Um recurso, porém, levou a subprocuradora a votar pela continuidade do processo, destacando a necessidade de apurar possíveis subvenções indiretas e o respeito ao pluralismo.

Segundo nota do MPF encaminhada à Gazeta do Povo, a investigação busca verificar se a cessão de infraestrutura da UFMG configurou favores a uma religião específica e se houve violação à neutralidade institucional. O inquérito civil foca em danos ao patrimônio público decorrentes de eventos religiosos sem autorização.

Posicionamento de especialistas

O presidente do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), Thiago Rafael Vieira, afirma que a controvérsia envolve direito de manifestar fé no espaço público. Segundo ele, restringir cultos sob o rótulo de laicidade pode estigmatizar a prática cristã fora de templos.

Vieira observa que a neutralidade do Estado não implica silenciamento da fé em universidades públicas, que devem garantir liberdade religiosa e pluralismo. Ele destaca a diferença entre laicidade institucional e imposição de rituais seculares pelo poder público.

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