O governo de Donald Trump adiou a assinatura de uma ordem executiva que ampliaria o escrutínio federal sobre modelos avançados de inteligência artificial antes de chegarem ao público. A informação foi publicada pelo Politico, com base em pessoas próximas às discussões. A proposta previa a criação de uma coalizão de agências civis e de segurança para aumentar a avaliação de IA considerada inovadora.
Segundo relatos, representantes da indústria já tinham recebido detalhes da medida, que deveria ser assinada ainda nesta semana. A mudança ocorre enquanto o governo avalia formas de regulamentar o uso de sistemas de IA de ponta sem frear o ritmo de desenvolvimento tecnológico.
Durante um evento na Casa Branca, Trump disse não ter gostado de alguns pontos do texto. Ele afirmou que a medida poderia “entrar no caminho” da liderança dos EUA em IA, mencionando a concorrência com a China.
O que está em jogo e quem participa
O adiamento envolve potenciais etapas como uma vistoria federal voluntária, proposta para ocorrer até 90 dias antes do lançamento de novos modelos. O Pentágono também ganharia 30 dias para avaliar a segurança de redes envolvidas, incluindo telecomunicações e sistemas de informação.
Quatro fontes ouvidas pelo Politico apontam que a ausência de executivos de grandes empresas de tecnologia no momento previsto para a assinatura contribuiu para o atraso. Entre eles estariam Sam Altman (OpenAI), Dario Amodei (Anthropic) e Mark Zuckerberg (Meta).
A ordem executiva tem sido pautada por discussões com representantes de IA, incluindo evidências de participação de Google, OpenAI e Anthropic, que forneceram informações aos integrantes do governo durante as consultas. A iniciativa é apresentada como resposta a preocupações de cibersegurança associadas a modelos de IA de alta complexidade.
Contexto estratégico e desdobramentos
A medida coloca os modelos de IA no centro da segurança nacional, refletindo a percepção de ativos estratégicos e de competitividade internacional. A discussão ocorre em meio a tensões entre a Anthropic e o Pentágono sobre limites de uso da IA em contratos militares, com a empresa defendendo cláusulas que restringiriam vigilância doméstica e armas autônomas.
Historicamente, esse choque de posições sinaliza uma mudança de tom em relação ao início do mandato de Trump, quando o governo revogou parte das exigências de IA impostas por Biden. A nova proposta, ainda sob análise, busca priorizar a segurança dos sistemas avançados, ainda que haja resistência a medidas consideradas freio à competitividade com a China.
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