O sociólogo Jessé Souza, ex-presidente do Ipea, volta a figurar no debate público após ser alvo de acusações de antissemitismo. As declarações sobre o Holocausto, feitas em um vídeo sobre Jeffrey Epstein, geraram reação de instituições e de parte da comunidade judaica.
Segundo relatos, Souza afirmou que o Holocausto foi explorado financeiramente pelo sionismo e apontou Israel como facilitador de crimes atribuídos a Epstein. A Confederação Israelita do Brasil reagiu de forma contundente, e foi registrada uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal por racismo e ódio religioso.
Nas linhas de sua teoria, o pesquisador sustenta que o Brasil opera sob lógica de escravidão ainda hoje. Ele aponta uma elite financeira como mantenedora de uma estrutura de servidão, com a classe média atuando como uma esfera de controle sobre as camadas mais pobres.
Souza também costuma classificar eleitores conservadores de baixa renda como manipulados por uma imprensa liberal e por instituições religiosas, destacando que esse grupo não pensa de forma autônoma, segundo suas leituras, e direciona a insatisfação para bodes expiatórios.
Formado em Direito pela UnB, com doutorado na Alemanha e pós-doutorado em Nova York, Souza já presidiu o Ipea no governo Dilma e, em 2016, deixou o cargo em protesto contra o que chamou de golpe. Hoje, dirige o Instituto Conhecimento Liberta (ICL).
O ICL foi fundado com Eduardo Moreira e conta com apoio de Felipe Neto, mantendo a presença de Souza em debates educacionais e acadêmicos. Suas ideias aparecem com frequência em cursinhos e universidades do país.
Apesar da controvérsia, o conjunto de teses de Souza chegou a constar em redações do Enem, onde conceitos como “ralé brasileira” ganharam relevância. Corretores de vestibulares frequentemente citam sua obra como repertório sociocultural.
Conteúdo produzido pela Gazeta do Povo, com apuração da equipe de reportagem. Para mais detalhes, leia a reportagem completa apresentada pela fonte.
Entre na conversa da comunidade