A polícia escolar do Texas aplicou gás de pimenta, empurrou e utilizou descargas elétricas em diversos alunos, em um panorama de aumento de presença policial nas escolas após o ataque de 2022 em Uvalde. O objetivo declarado é prevenir tiroteios, mas relatos apontam uso de força em situações de disciplina.
Entre 2022 e 2025, registros indicam mais de 2600 incidentes de uso de força em mais de mil distritos escolares do estado. Cerca de 450 casos aparecem em relatos detalhados, com imagens de vídeo de várias ocorrências. Não há um registro centralizado, e parte das informações foi obtida por meio de pedidos de acesso a dados públicos.
Para o público, os episódios variam desde punições por vestimenta inadequada, fumar ou brigas; em alguns casos, agentes recorreram a força física, imobilizações e tiros de TASER. Em situações extremas, houve encaminhamentos a hospitais e acusações de delitos para alunos.
Contorno regulatório e impactos
Em distritos como Judson, um menor de 15 anos foi arremessado contra uma mesa após arremesso de queijo; o distrito afirmou que o aluno tentou se afastar e que a força foi necessária. Em Cypress-Fairbanks, um menor de 10 anos foi imobilizado com cordas após agredir o diretor, prática proibida posteriormente pelo distrito.
Tayshawn Chadwick, 17, foi imobilizado contra a janela e teve descargas repetidas com pistola elétrica por resistir a ordens. Elementos do distrito afirmaram que as ações seguiram normas internas, e a acusação foi retirada após completar programa de controle de raiva. Diversos pais, professores e alunos defenderam a presença policial para manter a segurança, citando o temor de tiroteios.
Apesar de denúncias de excessos, autoridades locais citam a necessidade de resposta rápida em situações de risco. Em Texas, não há um órgão estadual com poder para auditing sistemático das ações, e leis de 2019 e 2023 não estabeleceram salvaguardas completas para a disciplina escolar. A presença de agentes é financiada com investimentos significativos em segurança, chegando a mais de 1,3 bilhão de dólares anuais.
Relatos de governança apontam que supervisores e conselhos escolares nem sempre consideram a disciplina com a atribuição de agentes como parte de seu alcance. A revisão de políticas de uso de força em mais de 200 departamentos aponta prática comum de copiar normas municipais, com pouca orientação específica para lidar com estudantes.
Entre na conversa da comunidade