A comissão de impeachment do Parlamento da África do Sul marcará a primeira reunião na segunda-feira para investigar acusações ligadas ao escândalo Farmgate envolvendo o presidente Cyril Ramaphosa. O encontro ocorre no Parlamento em Pretória, no âmbito de um processo que retomou nesta semana pela Corte Constitucional.
O Democratas (DA) informou que a sessão será o próximo passo do procedimento, após a retomada do caso. O DA, segundo maior partido da coalizão, pretende eleger um presidente para o grupo e não admite que a liderança venha de dentro do ANC.
Ramaphosa nega irregularidades no caso, que envolve o furto de maços de dinheiro escondidos dentro de um sofá na fazenda do presidente, em 2020. A origem dos recursos e o motivo de estarem ocultos no móvel são questionados pelas partes envolvidas.
Desdobramentos
A comissão reúne 31 membros, e sua primeira tarefa é escolher o presidente do colegiado. O DA afirmou que não deseja que alguém do ANC ocupe o cargo. O acordo entre partidos ainda depende de negociações internas.
O ANC detém cerca de 40% das cadeiras na Assembleia Nacional, o que pode dificultar uma eventual votação de impeachment, que requer maioria qualificada de dois terços. O partido líder do governo afirmou apoio ao presidente, mas a composição da comissão é de 9 cadeiras, abaixo de uma bancada ampla.
Ramaphosa apresentou contestação judicial contra o relatório de um painel independente que apontou evidências preliminares de má conduta. Analistas jurídicos indicam que a contestação pode atrasar o processo. O presidente também sinalizou a possibilidade de pedir decisão urgente para suspender o andamento enquanto a ação tramita.
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