A Promotoria de Piracicaba apresentou denúncia contra oito suspeitos de desviar nafta petroquímica para adulterar combustíveis na Grande São Paulo. O ato envolve operação da facção PCC, com uso de fintechs para lavagem de dinheiro e empresas-fantasmas. A denúncia foi apresentada no início de maio pelo Gaeco.
Segundo o Ministério Público, a organização comprava nafta para uso industrial, mas desviava parte do produto para terminais em Paulínia (SP) e Arujá (SP), misturando-o com gasolina comum. O dinheiro resultante seria destinado a fintechs ligadas ao PCC.
Ao todo, a Receita Federal identificou 10.076 notas fiscais frias emitidas pela empresa Petrodansk, de Rafard, avaliadas em 1,4 bilhão de reais. A empresa seria usada como ponte para formalizar a venda de solventes derivados da nafta.
Quem foram denunciados
- Raffaele Vestenius Masi
- Aldo Antônio Masi
- João Eduardo de Albuquerque
- Igor de Souza Amorim
- Gilmar Amori
- Michele Gomes Vieira Silva
- Simone Alves de Oliveira
Operação Fluxo Oculto e atuação das fintechs
A operação, na segunda fase da Carbono Oculto, aponta o envolvimento de seis fintechs em atividades de “bancos paralelos” para ocultar recursos. Ao todo, 59 mandados foram cumpridos em cinco estados, entre 28 de maio e o início desta semana.
As autoridades indicam que as fintechs movimentaram mais de 26 bilhões de reais entre 2022 e 2025, com uso para lavagem de dinheiro, sonegação e blindagem patrimonial. Quatro fundos de investimento estariam ligados ao esquema.
A ANP informou cooperação com o MP e outros órgãos, fornecendo informações técnicas e de inteligência quando irregularidades estruturadas são identificadas. A agência reforçou a necessidade de atuação conjunta.
Como operava o esquema na prática
A nafta era adquirida pela Petrodansk, autorizada pela ANP, e desviada para o mercado de combustíveis na capital paulista e região. O produto era misturado à gasolina, reduzindo custos e ampliando margens.
Após adulteração, o combustível era armazenado e distribuído para postos da região metropolitana, chegando ao consumidor como se fosse combustível regular. O objetivo era lucrar com tributos sonegados e venda de combustível adulterado.
A Promotoria aponta que a estrutura de empresas-fantasma simulava a venda de solventes derivados da nafta para “químicas”, apenas para justificar a movimentação do produto. A investigação detalha 180 páginas de denúncia.
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