A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou um relatório que afirma: o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar, não por acidente de carro conforme a versão oficial de 1976. A conclusão questiona a versão de acidente automobilístico.
O texto foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e referendado pela comissão ligada ao Ministério dos Direitos Humanos. A cerimônia de apresentação ocorre nesta sexta-feira, na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo.
Segundo o relatório, a morte ocorreu por perseguição política do regime. A base é o inquérito civil do Ministério Público Federal, entre 2013 e 2019, divulgado apenas em 2021. O documento sustenta que não houve colisão entre o ônibus da Viação Cometa e o Opala de JK.
JK faleceu em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra. O veículo de JK teria colidido com uma carreta após perder o controle, atravessar o canteiro central e invadir a pista contrária. O motorista Geraldo Ribeiro também morreu no acidente.
O ex-presidente, cassado politicamente desde 1964, foi figura central da oposição civil à ditadura e integrou a Frente Ampla, ao lado de Lacerda e João Goulart. O novo relatório busca a correção da certidão de óbito de JK.
Contexto e desdobramentos
Relatórios paralelos divergem em parte. A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, de São Paulo, aponta possíveis ações de agentes da ditadura e investigações sobre envenenamento ou morte por arma de fogo.
Outra avaliação, da Comissão Nacional da Verdade, instituída no governo Dilma Rousseff, concluiu que as mortes ocorreram por acidente. O debate permanece com diferentes interpretações oficiais e investigações em andamento.
Caminhos futuros
Com a aprovação da CEMDP, a ideia é que a certidão de óbito de Juscelino Kubitschek seja atualizada conforme o novo entendimento. A decisão não encerra o tema, mas abre espaço para reavaliação de registros oficiais. O conteúdo completo será disponibilizado em breve para consulta pública.
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