O encontro entre a Anthropic e o Vaticano gerou questionamentos sobre a realza de uma relação entre a maior startup de IA e a autoridade religiosa. Durante a cerimônia de lançamento de uma encíclica papal, o fundador da Anthropic, Chris Olah, ficou ao lado do Papa, em um momento que tratou dos riscos da inteligência artificial para a humanidade.
A encíclica do Papa Leo XIV aponta preocupações como substituição de trabalhadores, intensificação de conflitos e impactos ambientais. A presença de Olah na ocasião despertou debates sobre a natureza do diálogo entre a Igreja e uma empresa de IA de alto valor de mercado.
Especialistas em ética tecnológica sinalizam que o gesto pode criar um discurso agradável, sem exame crítico suficiente. Eles destacam a necessidade de avaliar como as empresas de IA, incluindo a Anthropic, tratam temas como emprego, responsabilidade e impactos sociais.
Paolo Carozza, professor de direito, afirma que o encontro não pode ser visto como um embate entre lados, defendendo diálogo entre os atores. Já Pete Furlong, da Center for Humane Technology, ressalta que as posições do Papa e da Anthropic podem ser conflitantes, mas o diálogo é válido com cautela.
O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, tem advertido sobre o risco de perdas de empregos de colarinho branco com o avanço da IA. A empresa vem mantendo um posicionamento de segurança e regulação, em contraste com ex-parceiros como a OpenAI, e intensificou ações de lobby nos EUA.
O Vaticano também mencionou a necessidade de soluções mais sustentáveis para datacenters que alimentam o avanço da IA, em um trecho da encíclica. A instituição ressalta que esses centros consomem energia e água, contribuindo para impactos ambientais. A Anthropic comprometeu-se a investir em infraestrutura de IA e a mitigar aumentos de custo de energia para os usuários.
Entre as leituras sobre o tema, alguns críticos consideram que a aliança pode não aprofundar questões centrais ligadas aos trabalhadores explorados, ao consumo de recursos e à governança de dados. Timnit Gebru, do Distributed AI Research Institute, sugeriu que a parceria não endereça suficientemente os direitos de trabalhadores e comunidades afetadas, o que gerou críticas ao formato do acordo. A Anthropic não comentou o assunto.
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