Em São Paulo, a gestão pública de segurança atravessa uma virada poderosa: a letalidade policial aumenta e, ao mesmo tempo, cresce a percepção de ligações entre policiais, facções criminosas e grupos paramilitares. A partir de 2015, surgem sinais de que a política de segurança pode favorecer ações mais duras sem controle claro.
Em 2024, o então secretário de Segurança promoveu mudanças significativas na Polícia Militar, promovendo a troca de dezenas de coronéis, incluindo membros da alta cúpula. A medida reforçou uma linha de atuação mais agressiva, com foco em operações de maior letalidade.
A curva de violência policial ganhou fôlego: entre 2020 e 2023, houve queda de letalidade no conjunto das forças, mas em 2024 a PM registrou um aumento expressivo de óbitos, chegando a 775 mortes no ano, cifra que se repete nos anos seguintes. A Baixada Santista teve episódios marcantes dessas operações.
Contexto institucional
Policiais passaram a atuar com maior autonomia em ações de segurança, o que ampliou tensões com organizações criminosas e alimentou denúncias de abuso e violência. A ocupação de espaços de poder passou a incluir cargos políticos, elevando a distância entre Estado e sociedade civil.
Implicações e ligações entre setores
Relatos indicam que agentes autorizados a agir de forma violenta também atuariam em atividades privadas de segurança e extorsão, criando um ambiente de promiscuidade entre o público e o privado. A combinação de letalidade e corrupção alimenta ciclos de violência institucionalizados.
Desdobramentos e casos
Até 2025, houve menções a vínculos entre policiais e lideranças do crime organizado, com denúncias de escoltas para facções. Em 2024, um empresário ligado ao PCC foi alvo de ataques no aeroporto de Guarulhos, associando violência criminosa a estruturas de segurança pública.
Situação recente
Em 2026, houve a substituição do órgão de comando da PM sob alegação de questões pessoais, em meio a novas denúncias de omissão frente à infiltração criminosa na corporação. O marco sugere continuidade de uma política de tolerância à violência.
A situação indica um quadro em que a letalidade não funciona como ferramenta de combate ao crime, mas como mecanismo de poder político. A atuação de policiais como atores políticos tem fortalecido a voz de grupos armados, desafiando o Estado de Direito.
Conclusões provisórias
A narrativa aponta para um ciclo em que violência institucionalizada, corrupção e atuação de facções se entrelaçam. O resultado é uma erosão das garantias democráticas, com impactos diretos no cotidiano da população e na confiança nas instituições.
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