O ministro André Mendonça acelerou, nas últimas semanas, as operações contra os casos de corrupção que envolvem o Banco Master e o INSS. As ações ganharam ritmo com deflagrações de novas fases da Operação Compliance Zero e da Operação Sem Desconto, atingindo políticos, empresários e entidades suspeitas de desvio de recursos.
A atuação ocorre em meio a pressões dentro e fora do STF para conter investigações que atingem Brasília. Mendonça ordenou medidas com discrição, buscando manter a responsabilidade das ações e evitar nulidades processuais. A estratégia inclui fortalecer o uso de informações sigilosas e proteger as apurações de vazamentos.
Desde fevereiro, quando assumiu a relatoria do caso Master, Mendonça autorizou seis fases da Compliance Zero. Foram 14 prisões preventivas, 61 buscas e apreensões, bloqueios superiores a R$ 22 bilhões e diligências em sete estados e no Distrito Federal.
Em maio, ocorreram quatro fases da operação, com alvos como Ciro Nogueira, presidente do PP, Cláudio Castro, ex-governador do RJ, além de familiares e um grupo ligado a hackers e informantes. Também houve diligência relacionada a um perito suspeito de vazar contrato de R$ 129 milhões com escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes.
No INSS, Mendonça autorizou, no último dia 27, nova fase da Sem Desconto, abrangendo DF, Pernambuco, São Paulo e Paraíba. Ao todo, foram 31 ordens de busca e apreensão, bloqueio de bens de quatro entidades e monitoramento eletrônico de oito investigados.
Acompanhando as investigações, Mendonça busca equilíbrios para evitar que os casos sejam anulados por questões jurídicas. Ele atua junto a colegas próximos para sustentar as medidas, ao mesmo tempo em que ajusta decisões para reduzir críticas internas.
Fora do STF, o ministro estreitou relações com as equipes da Polícia Federal, buscando evitar vazamentos e impedir manobras administrativas que protejam investigados. Também analisa estratégias de advogados para orientar eventuais delações premiadas.
Pressões no STF e no âmbito policial
Sinais de risco surgiram em março, quando Gilmar Mendes apontou críticas à Compliance Zero e questionou fundamentos de medidas de Mendonça. O decano defendeu a cautela para evitar abusos, citando casos anteriores da Lava Jato.
Em abril, Mendes criticou o vazamento de conversas privadas de Vorcaro, o que provocou críticas internas a Mendonça pela divulgação à CPMI do INSS. Medidas corretivas de Mendonça vieram em maio, com ajustes na justificativa de prisões.
No âmbito do Master, a perspectiva de delação premiada de Vorcaro ganhou contornos complexos, com resistência da PF a homologar acordo. A defesa mudou de rumo, transferindo negociações para a PGR.
O episódio envolve ainda a relação de Vorcaro com famílias de autoridades, levando Gilmar Mendes a defender a limitação do escopo do caso à esfera financeira. A PF analisa se novas frentes de apuração devem ganhar desdobramento próprio.
Persistem tensões sobre a condução das investigações, com rumores de que medidas adotadas por Mendonça podem ser revisadas por instâncias superiores ou em deliberações futuras. A defesa de Vorcaro e operadores do Direito acompanham esses movimentos com atenção.
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