A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira, 1º, a Operação Wi-Fi contra a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) por suspeitas de fraudes na instalação de pontos de Wi-Fi em São Paulo. A ação mira também Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.
A operação envolve mandados de busca e apreensão na sede da ICB, na Go Up e em dois imóveis residenciais de Karina. A sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia também foi alcançada, conforme apuração policial.
A investigação apura irregularidades na licitação e na execução do contrato, além de supostos desvios de recursos públicos.
Contratos públicos e valores
O ICB firmou acordo para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuitos na cidade em 2024, via gestão da prefeitura de São Paulo, sob o então prefeito Ricardo Nunes, no valor de 108 milhões de reais. A Polícia Civil investiga fraudes na licitação, na execução e a eventual ausência de notas fiscais.
Dados da apuração indicam que o orçamento poderia ter sido inflado, com preços acima de padrões de mercado. O ICB estaria cobrando 1.800 reais por ponto, enquanto a Prodam, empresa pública de tecnologia, cobraria 230 reais para instalação e cerca de 300 reais para manutenção.
Contexto empresarial
A Go Up Entertainment, criada para a produção do filme Dark Horse, já havia enfrentado polêmicas recentes. A produtora recebeu investimentos superiores a 100 milhões de reais por meio de contrato com a prefeitura de São Paulo, segundo reportagens.
O conjunto de denúncias envolve também condutas no set do filme, como atrasos, questões de pagamento e alegações de comportamento inadequado. A investigação tramita na 2ª Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, da DICCA, ligada ao DPPC.
Observações adicionais
O Governo Federal publicou, no último fim de semana, um streaming público com diversas obras brasileiras, contexto que acompanha a pauta de financiamento cultural local. A prefeitura informou cooperação plena com as autoridades, afirmando que o material solicitado já estava disponível publicamente.
O caso envolve ainda acusações sobre a prestação de contas de contratos com empresas, sem emissão de notas, conforme apurado pela polícia.
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