O Brasil é o único país do mundo a realizar eleições inteiramente por meio de urnas eletrônicas de alta tecnologia. A confiança no sistema tem recuado, gerando um alerta para as eleições de 2026, diz a revista The Economist.
A publicação aponta que a desconfiança tem sido alimentada pela polarização e pela desinformação online, não por fraudes comprovadas. Dados citados mostram queda relevante na percepção de integridade do voto ao longo de circulação de 2009 a 2024.
A pesquisa citada com frequência pela Economist revela que, em 2009, 45% dos brasileiros viam as eleições como limpas, contra 47% que as classificavam como fraudulentas. Em 2024, apenas 32% confiavam, e 61% suspeitavam de fraude. Outro levantamento aponta desconfiança maior: 43% dizem duvidar das urnas, frente a 22% em 2022.
Mudança de percepção e influências
A matéria destaca que parte da direita brasileira adotou o discurso crítico às urnas, especialmente nas redes sociais, com candidatos contestando resultados de 2014, 2018 e 2022. A possibilidade de novo questionamento em 2026 é mencionada como risco potencial.
Para a The Economist, ataques em 2022 contra as urnas, durante a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro, sinalizam um movimento de declínio global da confiança em sistemas de votação. A reportagem cita ainda o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro, que, em 2024, sinalizou em evento conservador que poderia haver vitória caso as eleições fossem livres e justas.
Sistema, funcionamento e debates sobre auditoria
A revista descreve que o Brasil adotou o sistema eletrônico para evitar fraudes generalizadas, citando casos históricos de cédulas manipuladas e listas com eleitores mortos. O TSE é destacado por promover eventos públicos onde cidadãos podem testar vulnerabilidades e propor correções caso haja falhas.
Entretanto, a reportagem aponta que a confiança nos tribunais nacionais tem caído e que a sobreposição entre o TSE e o STF pode gerar desconfiança entre parcela da população, lembrando a atuação do ministro Alexandre de Moraes nas eleições de 2022 e no julgamento de tentativas de golpe.
Possíveis caminhos e críticas técnicas
A Economist cita propostas para aumentar a auditabilidade, como a combinação de urnas com comprovantes em papel além da apuração eletrônica. O texto compara esse debate com modelos adotados por países como a Índia.
O artigo também relembra um piloto de 2002 do TSE com impressoras acopladas às urnas. As falhas técnicas mostraram limitações operacionais, com intervenção humana necessária para consertos e preocupações sobre atrasos na apuração, além de riscos ao sigilo do voto.
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