Nesta terça-feira, 2, o jornalista Thomas Friedman, colunista do New York Times, afirmou em Lisboa que o Brasil é um exemplo de polarização extrema. O uso de redes sociais foi apontado como fator central para o quadro descrito, com impactos na confiança cívica e na percepção de verdade.
Friedman argumentou que a democracia se sustenta na verdade e na confiança. Segundo ele, as plataformas digitais prejudicam os dois pilares ao simultaneamente distorcer informações e provocar sentimentos fortes, o que alimenta a raiva e a radicalização.
No Brasil, o comentarista citou a polarização entre os partidos como ilustrativa de um fenômeno global, piorado pela lógica de negócios das redes, que prioriza engajamento em vez de informação. A fala ocorreu durante o Fórum Jurídico de Lisboa.
Papel das redes sociais
O colunista ressaltou que, para as plataformas, o objetivo é manter os usuários na tela, não informar. Ele descreveu uma dinâmica em que a provocação domina a veiculação de conteúdos, contribuindo para a erosão da verdade e da confiança públicas.
Além disso, Friedman conectou o tema à discussão sobre governança da inteligência artificial. Ele entende que a IA representa uma mudança sem precedentes e que, sem regras éticas globais, pode colocar em risco a própria democracia.
Inteligência artificial e governança
O jornalista defendeu que Estados Unidos e China devem estabelecer acordos sobre uso ético da IA. Segundo ele, sem esse entendimento, o comércio de tecnologia pode se restringir a aspectos básicos, com o restante do mundo ficando à margem das decisões digitais.
Friedman ainda destacou um cenário em que a IA passaria a tomar decisões de forma autônoma, o que exigiria cooperação entre as nações para evitar consequências negativas para a democracia, tais como disseminação de desinformação ou controles excessivos de dados.
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