A política enfrenta um desafio comum: eleitos populistas ganham força em ambientes institucionais que não os limitam. A afirmação ganhou contornos ao participar de um painel sobre contenção do poder executivo na LASA, em Paris, discutindo como as instituições moldam a resistência democrática.
O estudo analisado no painel aponta que, sob o presidencialismo, populistas costumam vencer eleições de reeleição, usufruindo de vantagens como controle da máquina pública e benefícios distribuídos para fins eleitorais. Dos 19 casos observados, 16 elegeram novamente o líder.
No presidencialismo, as eleições não têm sido eficazes para remover esse tipo de governo. O diagnóstico mostra exceções significativas apenas para Donald Trump, em 2020, e Jair Bolsonaro, em 2022, que não repetiram gestões de maior controle institucional.
Mudanças institucionais e dinâmica parlamentar
Sob o parlamentarismo, populistas perdem mais em eleições (52%) ou sofrem votos de desconfiança (65%), mas acabam retornando com mais frequência ao poder. A depender do contexto, derrotas parlamentares não impedem o retorno do líder ao comando ou à liderança do partido.
Essa dinâmica leva a um ponto central: não existe sistema político universalmente mais eficaz para conter ou remover populistas após a eleição. A saída institucional depende do legado democrático de cada país e da capacidade de articular coalizões estáveis.
A conclusão comum é que a defesa da democracia não está apenas em remover populistas depois de eleitos. O caminho é fortalecer instituições que impeçam a ascensão autocrática, reduzindo o espaço para ações que desrespeitem normas liberais.
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