O vídeo em circulação mostra um trecho em que parece haver um agradecimento de Flávio Bolsonaro a Donald Trump pela taxação do Brasil. Contudo, a leitura correta do material aponta para outra pauta.
O vídeo original foi publicado pelo senador Flávio Bolsonaro em sua conta nas redes sociais em 28 de maio. Nele, ele trata da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, e não de tarifas comerciais.
Ao longo da gravação, Flávio afirma ter pedido aos EUA que reconhecessem as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, durante viagens ao país. A gravação não aborda taxas ou tributos.
Verificação
O Estadão Verifica informou que o conteúdo está fora de contexto. Em 1º de junho, quatro dias após a postagem, o Escritório Comercial dos EUA propôs tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros. A autoridade estadunidense negou que a decisão tenha sido influenciada por pedidos de políticos brasileiros.
O governo brasileiro reagiu, dizendo que a medida representava intervenção externa e desrespeitava a soberania. O vídeo que circula nas redes sociais foi usado por apoiadores para atribuir agradecimentos a Trump por tarifas, o que não ocorreu na gravação original.
As informações oficiais apontam que a decisão de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas foi anunciada pela Secretaria de Estado dos EUA após avaliação de questões que incluem comércio, propriedade intelectual e políticas de segurança. O caso gerou perguntas sobre interferência e retórica política.
Em nota, o governo dos EUA afirmou que houve reuniões com autoridades brasileiras, mas não houve consenso sobre as questões discutidas. O repasse público sobre o assunto manteve o foco técnico das avaliações de políticas e cooperação entre ambos os países.
Entre na conversa da comunidade