Deputados da base do governo Lula viajaram aos Estados Unidos para solicitar apoio da oposição ao governo Trump contra o que chamam de tarifaço imposto ao Brasil. A multidão de parlamentares busca conter articulações da família Bolsonaro junto à Casa Branca.
A comitiva lulista desembarcou em Washington dias após encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Donald Trump. O encontro coincidiu com o anúncio de novas tarifas comerciais contra o Brasil feito pela Casa Branca.
O grupo chega com o objetivo de discutir aspectos técnicos sobre combate ao crime organizado e relações comerciais, destacando a necessidade de cooperação dos EUA sem intervenção. A agenda também envolve avaliação de impactos de tarifas.
A comitiva é formada por Pedro Uczai, líder do PT na Câmara; Jandira Feghali, do PCdoB; André Janones, da Rede; e Pedro Campos, do PSB. Eles pretendem manter contatos com parlamentares americanos para levantar informações.
Segundo os parlamentares, o foco inclui investigações sobre suposta rede criminosa ligada a financiamentos e estruturas financeiras envolvendo personagens e fundos com ligações ao PCC, a Vorcaro e a Reag Investimentos.
O grupo alega haver uma possível triangulação financeira transnacional envolvendo valores usados em projetos no Brasil e em estados norte-americanos. A denúncia foi apresentada por meio de documentos e dados públicos à delegação.
Eles citam, ainda, a discussão sobre o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, alegando repasse de recursos a um fundo no Texas, ligado a um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro. A matéria foi mencionada como parte da investigação.
Além de Flávio, a comitiva aponta para o desgaste político ligado ao crime organizado e às tarifas. Eles defendem cooperação dos EUA para apurar irregularidades, sem que haja intervenção externa.
O grupo afirma que pretende pedir o cancelamento das tarifas impostas aos produtos brasileiros e reforçar a cooperação entre os dois países, mantendo, ao mesmo tempo, a soberania econômica brasileira, inclusive no Pix.
A visita ocorre em meio a debates sobre a classificação de facções criminosas como narcoterroristas, tema defendido por aliados de Bolsonaro e rejeitado por autoridades e governo Lula, que apontam riscos de interferência externa.
Especialistas destacam que o tema envolve complexidades legais e diplomáticas, com desdobramentos sobre cooperação internacional, sanções e políticas de combate ao crime, sem assumir viés partidário.
A comitiva afirmou que levará informações públicas, reportagens e dados para sustentar a argumentação junto a congressistas americanos, buscando apoio técnico para investigação de possíveis irregularidades financeiras.
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