El Estornudo foi lançado em 14 de março de 2016 por um grupo de jovens jornalistas cubanos, que desejavam publicar reportagens de longo fôlego sobre a realidade de Cuba sem censura. O projeto nasceu em Havana, diante das limitações do panorama midiático no país.
A iniciativa ocorreu em meio ao avanço da internet no país, com hotspots públicos e custos elevados para acesso. Sem escritório próprio, a equipe operava de espaços públicos, parques e casas adaptadas, buscando independência e jornalismo investigativo.
Os fundadores queriam não tomar partido político, mas manter rigor na apuração. O objetivo era dar voz a quem havia sido silenciado, privilegiando reportagem aprofundada e narrativas de vida cotidiana.
Prisão e interrogatório
Em 2019, o jornalista Abraham Jiménez Enoa foi alvo de intervenção das autoridades de segurança. Ele chegou a ser detido e interrogado na cidade de Havana, com a condução a Villa Marista, a sede da polícia estatal. O episódio envolveu revista de dispositivos e coerção.
Durante o interrogatório, agentes questionaram a credibilidade do trabalho e alegaram ligações a veículos estrangeiros. O jornalista relatou humilhação, apreensão e uso de medidas coercitivas, incluindo condução sem justificativa clara.
Após o episódio, o jornalista descreveu o impacto na carreira e na reputação, incluindo a veiculação de imagens da abordagem pela televisão estatal. O caso chamou atenção internacional e foi assunto de publicações de opinião, embora não tenha produzido condenação judicial imediata.
Consequências e desdobramentos
O episódio acelerou o exílio do jornalista, que hoje vive em Espanha. A experiência destacou dificuldades de atuação de jornalistas independentes cubanos diante de pressões estatais e de restrições à imprensa.
Desde então, El Estornudo continuou a atuar fora de Cuba, buscando financiamento internacional para sustentar o jornalismo investigativo. A obra destaca a persistência de relatoural independente frente a censuras.
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